Padrão de Beleza: Você!


Karen Minatto

Vivemos em um mundo de aparências. Nunca estivemos tão à margem de padrões de beleza pré-estabelecidos.

Seios grandes, bocão, cintura de pilão, corpo sarado, barriga tanquinho, braços torneados, manequim 38... ou será 36?

Diante tanta pressão externa sobre o corpo perfeito e socialmente aceito, sobre o jeito de ser, de agir e de se vestir, as mulheres são as que mais sofrem. Não que os padrões estabelecidos não atinjam a ala masculina, mas acredito que seja em menor proporção.

As mulheres, mesmo que de forma inconsciente, acabam se aprisionando em padrões previamente delineados, como se houvesse uma única forma de ser bela, de se vestir e de viver a vida, e como se existisse apenas um único tipo de corpo que merecesse ser valorizado.

Nos comparamos, nos vestimos para o outro, nos adaptamos a critérios definidos por outras pessoas. Esquecemos de nós.

Focamos em algo idealizado e que nos foi apresentado como marca registrada de beleza e aceitação. Enquanto olhamos em volta e entramos nessa busca frenética para sermos aceitos, acolhidos e amados, embarcamos em dietas mirabolantes, nos matamos na academia, e, muitas vezes, vamos além do que suportamos física e emocionalmente. Nos afastamos do que mais importa: nós mesmos.

Esquecemos que boa parte das fotos publicadas e compartilhadas na Internet, de uma maneira geral, tem uma grande gama de Photoshop, filtros e edições. No fim, admiramos um corpo que, na maioria das vezes, não existe.

E entramos em uma busca sem fim para chegar, pelo menos, perto daquele modelo de corpo perfeito e tão invejado. Quer saber a triste notícia? Dificilmente conseguiremos suprir essa expectativa. E tá tudo bem.

Mas os padrões não se limitam ao corpo, eles vão além. Envolvem o vestir como a maioria se veste, o comer o que a maioria come, o se portar como a maioria se porta e o ter uma vida espelhada na vida que a maioria tem.

O fato é que nada disso vai adiantar se antes não estivermos bem com a gente mesmo, se não nos conectarmos com a nossa essência, se não nos amarmos apesar da ruga que está aparecendo, da barriga que está começando a ficar saliente, da celulite que nos persegue, e assim por diante.

Se não houver essa aceitação e esse amor genuíno permaneceremos insatisfeitos como pessoas, como homens, como mulheres, e nos manteremos aprisionados nessa busca eterna e sem fim pela perfeição. Melhoraremos uma coisa, mas estaremos insatisfeitos com outra. Trabalharemos incessantemente em prol do ego.

Ao invés de focarmos no corpo dos sonhos, no estilo de vida perfeito, no que comer e no que vestir, entendo que o primordial é olhar para dentro e, apesar disso ou daquilo, das imposições sociais, e do que dizem ser certo e errado, termos a consciência de quem realmente somos, do que lá no fundo queremos, dos nossos princípios e valores.

Ao invés de buscarmos o que falta, que tal olharmos para o que temos? Em oposição ao desenharmos a nossa imagem baseada no corpo padronizado, na roupa da moda, no estilo de vida e na forma ‘correta’ de comer, que tal apenas sermos?

Você já parou para pensar que o que você tem de diferente da grande massa é exatamente aquilo que te torna único?

Nos aprisionamos em estereótipos em busca de aceitação e de amor, enquanto que a única pessoa que precisa nos aceitar e nos amar somos nós mesmos. O nosso valor jamais deveria ser medido pela régua de outra pessoa, por um modelo ou por algo que nos seja imposto.

Nos perdemos de nós mesmos para nos tornamos cópia dos outros. Para mim isso não faz sentido algum.

Eu sempre gostei do diferente, daquilo que quebra padrão. Sou um tipo de pessoa que canso do mais do mesmo.

Desde muito cedo fui sardenta e nunca tive problema em relação a isso. Quando criança e durante a adolescência, muitas pessoas brincavam comigo, perguntavam se eu não queria tirar as sardas, me chamavam de ferrugem, e por aí vai. Nunca me incomodei. Apesar de a época não as considerar como sinônimo de beleza, isso pouco me importava.

Eu tinha as minhas sardas e isso me fazia diferente. Eram a minha marca registrada, o meu curinga. Jamais poderia imaginar que anos depois ter sarda viraria moda e que existiria até maquiagem e filtros para simulá-las.

Sardas à parte, outro ponto a trazer é que na grande maioria das vezes a forma como nos vemos é bem diferente da forma como os outros nos enxergam. Temos a mania de focar nos defeitos, nas falhas. De colocar lupa naquilo que menos gostamos e no que nos incomoda.

O que é defeito para você pode ser virtude para a outra pessoa e aquilo que você não gosta pode passar despercebido ou até mesmo ser sexy para os outros.

Tudo depende da visão e de como olhamos. Do ângulo que olhamos. Como nos enxergamos.

Então, ao invés de se cobrar tanto e criar expectativas de vida, corpo e pessoa perfeita, que tal se aceitar como você é? Sim, porque no fundo, o que realmente importa é isso.

Não sou contra cirurgia plástica, melhoras físicas e a ir em busca do que faz bem, desde que esse seja o real e genuíno propósito: melhorar para si; fazer bem para si. A imagem externa e o que passamos para o mundo tem que estar em equilíbrio com o que temos dentro.

Quando mudamos em prol dos outros ou do que nos é exigido socialmente, e criamos uma imagem com o intuito de agradar, a frustração será certeira, até mesmo porque não temos como agradar a todos e nunca conseguiremos chegar a um modelo ideal, que muda constante e freneticamente.

O único padrão de beleza que deve prevalecer é o seu. Ter uma autoimagem saudável e acolhida é a chave para o acolhimento coletivo. Ao invés de ser o reflexo de uma sociedade estereotipada e de padrões pré-estabelecidos, seja o espelho para essa mesma sociedade e a quebra desses padrões por ela determinados: seja você, se ame!

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Karen Minatto

E-mail: kmeifler_adv@yahoo.com.br

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