O reflexo de nós mesmos


Karen Minatto

Vivemos em uma sociedade de pura aparência, onde regras são impostas e pré-definidas. Nos moldamos, nos acomodamos e nos acostumamos a ser e a viver conforme a música que toca.

Desde cedo, meninos escutam que chorar é sinal de fraqueza e que precisam ser uma rocha e o alfa provedor para se tornarem verdadeiros homens. As mulheres, por sua vez, são criadas para agradar, e acabam, muitas vezes, se moldando a relacionamentos fracassados e infelizes para mostrar que têm um marido.

O mundo competitivo em que estamos não tem tempo para vulneráveis, igualados, na grande maioria das vezes, a pessoas fracas e sem autonomia.

Vivemos à margem. Nos acostumamos com muito pouco e acabamos sorrindo em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos. Muitas vezes, não concordamos com o que vemos e vivenciamos, mas aceitamos os fatos, por mais que incomodem.

Temos medo. Angústia e ansiedade de refletir o que somos, o que pensamos e o que verdadeiramente sentimos e queremos. O temor do julgamento dói e aprisiona, impedindo, muitas vezes, que mostremos o reflexo de nós mesmos.

Por fora e perante os outros, rimos de coisas que, por dentro e no silêncio da solidão, por vezes, nos perfuram a alma. Perdemos a nossa essência. A nossa personalidade.

O mundo precisa de pessoas mais autênticas. Que se amem mais, que se perdoem mais. Pessoas que consigam lidar com o seu melhor e o seu pior e, principalmente, que saibam expressar o que sentem e o que acontece por dentro.

Sempre tive dificuldade de entender porque tamanha necessidade de aprovação, quando somos, por si sós, pessoas únicas e incomparáveis.

Eu acho a coisa mais linda pessoas que transbordam. Que se permitem ser vulneráveis, desnudando os sentimentos do que há por dentro. Aquelas que tiram a casca e jogam a armadura fora, sabe? Que se expõem e que compartilham a beleza e a dor de serem elas mesmas, pouco importando o julgamento alheio e a imposição social.

Sempre gostei dos autênticos, dos que choram quando têm vontade e pedem colo quando necessitam. Dos que quando não concordam com o que vivenciam, não têm medo de falar. Para mim, não há maior sinal de força, respeito e honestidade consigo mesmo.

O strip-tease da alma, independente das circunstâncias, é o que de mais sexy uma pessoal pode fazer, até mesmo porque, em uma era em que as aparências imperam, em que o dinheiro domina, em que corpo malhado é moda, em que Botox e silicone fazem parte da nossa rotina, e em que valores são completamente invertidos, desnudar-se de forma plena, aceitando e mostrando como se é, impondo limites, sabendo dizer não, compartilhando sentimentos, e não acolhendo tudo exatamente do modo como é imposto, continua sendo o maior ato de coragem que existe.

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Karen Minatto

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