Vacina


Tânia França

Quem assistiu a Série do Netflix – Outlander (quem não, recomendo) deve lembrar da cena no cais do porto francês, quando a protagonista faz o diagnóstico de um caso de Varíola em um marinheiro. Com a notícia sendo espalhada, o navio acaba sendo queimado com toda carga. Na cena, aparecem algumas pessoas de máscara, poucas, pouquíssimas. O dono da carga fica irado com a mocinha, por causa da perda financeira, ela diz que é melhor perder um navio do que contaminar toda a cidade.
A Série é uma ficção sobre a passagem de portal do tempo, mas a cena retrata a realidade sobre a Varíola, em 1745, cuja vacina foi reconhecida em 1796. A protagonista, por viver no século XX, já estava devidamente vacina e, também era médica.
Pra quem gosta de história, se for pesquisar sobre as vacinas vai ver que não foi fácil o reconhecimento e aceitação de nenhuma delas. A da Varíola, por exemplo, chegou ao Brasil em 1804 e causou a Revolta da vacina do Rio de Janeiro em 1904 (eita povo).
Tem um grupo que participo, que lembrou da época das vacinações nas escolas (década de 60). Será que era perguntado pra papai e mamãe se podia? Tinha que assinar algum papelzinho? Alguém se preocupava com as reações? Não lembro, só lembro da pistola, da raspagem da pele, das agulhadas e, claro que das dores e bolhas inflamadas que deixaram as cicatrizes. Quantas vidas será que foram salvas dentre esse povo amigo desse meu grupo?
Cá estamos nós de novo no país chamado Brasil, de gente de tudo que é jeito vendo, ouvindo e sentindo a dificuldade que é a aceitação de uma vacina, isso em pleno século XXI. Quantas coisas nas nossas vidas dependeram das carteirinhas de vacinação em dia? Será que as grandes empresas irão por a disposição vacinas para seus empregados? Exigirão a vacinação, para não perderem seus lucros com afastamentos por contaminação do Coronavirus, ou vão só distribuir o kit governo? Poderemos viajar, dentro e fora do país sem estar vacinados? Algum pagamento social irá exigir comprovante de vacinação (tipo salário família)
Precisa perguntar quem quer e quem não quer vacina? Será que esse país continental chamado Brasil é tão maior em inteligência que o resto do mundo?
Se vou escrever sobre o medo de criar barba, virar jacaré, ou mudar de sexo... não, minha burrice intelectual não me permite descer a tanto, acho que ainda tenho uma luzinha, fraquinha é verdade, mas tenho.
Pelamordedeuzinho, que palhaçada, quero VACINA o mais rápido possível, quero confiar na ANVISA, quero confiar na CIÊNCIA. Quem não quer, que não queira, carrapato na cadeira!

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Tânia França

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