Amor e Relacionamentos


Karen Minatto

O tema escolhido para essa semana foi Amor e me sinto muito feliz em escrever sobre o assunto, já que o amor se encontra presente em várias áreas e esferas da nossa vida estando latente, inclusive, dentro de nós mesmos. Um trabalho, um projeto, uma relação, tudo o que se faz e que se constrói com amor floresce melhor e traz resultados positivos. O amor é a pitada que faz o diferencial em nossas vidas e em nossas relações.

As bases sólidas do amor compõem todos os modos de amar, sim, porque não existe uma forma única de amar e de demonstrar amor. O amor ágape, por exemplo, é o amor no seu sentido mais puro e genuíno.

Em razão da limitação de espaço, no texto de hoje vou abordar o amor nos relacionamentos, mas posso discorrer sobre os outros tipos de amor em outros momentos e textos.

Começo trazendo a reflexão de que não é em qualquer tipo de relacionamento que o amor vai estar presente. Ele pulsará nas relações amorosas de qualidade. Sim, porque, infelizmente, há muitos relacionamentos hoje em dia que são amparados pelo ego, pelo abuso, pelas feridas emocionais, pela carência, e assim por diante.

Nos relacionamentos em que prepondera o precisar do outro; a necessidade de controle; as agressões verbais ou físicas; a dependência emocional; o desrespeito; a falta de aceitação de si e do outro; a projeção; na verdade o que impera e acaba dando sustentação não é o amor, mas sim fatores internos e inconscientes, muitas vezes gerados por traumas, vivências e experiências negativas, carência, egoísmo, baixa autoestima e baixo autovalor, feridas emocionais, crenças limitantes, dentre outros.

Basicamente, é impossível eu amar o outro dentro de um relacionamento sem amar a mim mesmo, sem reconhecer o meu valor e sem ter a consciência de que essa responsabilidade é minha e não do outro. Colocar essa carga nos ombros de outra pessoa é muito pesado, até mesmo porque a outra pessoa também tem as questões dela.

Muitas vezes, não conseguimos ser cem por cento nem com a gente mesmo e com a nossa vida, imagina ter que carregar tamanha responsabilidade de suprir a necessidade de amor do outro.

Um relacionamento para funcionar requer duas pessoas maduras e inteiras. Não que elas não possam ter problemas e questões, não é isso, mas, apesar dos problemas e das questões que possam existir, elas conseguem gerenciar essas questões e a relação, suprindo, por si próprias, o amor, a atenção, e o reconhecimento, sem a necessidade de receber tudo isso do outro para ser feliz.

São nesses casos que o amor entra. Sim, porque quando há essa inteireza, quando eu sou capaz de me amar e de me aceitar do jeito que eu sou, eu amo o outro porque eu quero amá-lo, porque faz bem para mim, é uma escolha, e o outro me ama pela mesma razão. Não há o preenchimento de buracos internos, de carências, de feridas aqui. Há o amor verdadeiro.

Quando eu me amo e me aceito por inteiro tenho a capacidade de amar e aceitar o outro pelo que ele é, como ele é, independente da bagagem, das cicatrizes, dos medos, das manias. Eu amo o outro pelo que ele é, em essência, e não pelo que ele pode me oferecer, suprir, ou pelo que ele me faz sentir.

O outro não precisa mudar para me agradar, ou para manter a relação, ou para me manter interessado; o outro não precisa mudar o jeito de se vestir para acompanhar a minha forma de vestir, viver e ser; eu o amo pelo que ele é, do jeito que ele é. A pessoa não precisa ficar se encaixando para caber na relação. Falo muito sobre isso e sobre amor e aceitação nos relacionamentos no meu livro Transbordando em tempos rasos.

Acredito que esse amar de forma inteira e sem correntes ou exigências seja o verdadeiro sentido e essência do amor.

Cada pessoa é única no mundo e possui características, dons, e talentos únicos. Abdicar da essência por uma relação é o caminho certeiro para que essa pessoa se perca de si.

Quando há realmente amor isso não ocorre, porque a pessoa que é amada ela é amada por ser quem é. Quando há amor, as duas pessoas da relação são livres para serem quem são. Não há exigências e nem necessidade para com o outro no sentido de mudá-lo e de precisar dele, porque antes de amá-lo eu já me amo, eu já transbordo em mim mesmo. O amor dele vem para agregar, somar, multiplicar e não para suprir uma falta, uma ausência, uma carência.

Apesar do amor ser o que dá liga real nas relações e o que torna tudo mais prazeroso e bonito, sabemos que somente ele não é o suficiente para manter uma relação. Existem outros fatores bem importantes e necessários para se ter um relacionamento saudável, duradouro, e que funcione, como a compatibilidade de vida e de projetos, a forma de ver o mundo, o jeito de ser, o diálogo no dia a dia, a organização de rotina, o momento de vida, a vulnerabilidade, a liberdade, o incentivo aos sonhos e projetos do outro, a leveza, a escuta ativa em relação aos sentimentos e problemas do outro, a parceria nos momentos de diversão e nos momentos difíceis, o gostar das mesmas coisas, ter os mesmos hobbies, o respeito, dentre outros. Apenas o amor, não é capaz de manter e nem de sustentar o relacionamento, o que o fortalece é a maneira como nos relacionamos e como entendemos e enxergamos o outro.

Só a energia, o sexo, a diversão, e os momentos de prazer não bastam para manter uma relação por muito tempo. São necessários que pelo alguns desses fatores estejam agregados e latentes. O amor é a cereja do bolo. É ele que vai tornar tudo mais bonito, leve, colorido, e que vai propiciar uma relação mais solidificada. Mas, se somente ele existir, sem os outros fatores que agreguem no relacionamento, uma hora a relação acaba indo para o ralo.

Homens e mulheres, de uma maneira geral, compreendem o amor de forma diferente. A mulher se sente amada pelo que o homem demonstra ou faz para ela, já o homem se sente amado quando ele se sente respeitado.

Segundo Gary Chapman, existem cinco linguagens diferentes do amor. Não vou aprofundar o tema, mas, segundo o autor, são linguagens do amor as palavras de afirmação, os atos de serviço, o tempo de qualidade, o toque físico e o receber presentes.

Amar não significa aceitar tudo, até mesmo porque quando o amor vem de nós mesmos entendemos e respeitamos os nossos limites e o que aceitamos ou não. O autoamor é a chave para o autorrespeito e para o autocuidado.

O amor não começa pelo outro, começa por nós, e é componente especial presente em relações saudáveis.

E apor aí, como anda a sua relação com o amor? Como anda o seu relacionamento hoje? Você ama ou depende? Aceita o outro em sua inteireza? Se encaixa para caber? Como você lida com o amor em relação a si mesmo?

Reflita sobre essas questões. Sempre é tempo de recomeçar, de se amar, e de se aceitar; de reaprender, e de voltar atrás. De olhar para dentro e de se enxergar. O amor por si mesmo é o início de um amor sem limites, que produz frutos doces e recompensadores.


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Karen Minatto

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